Servidor era sócio de empresa que pôs barras antipânico em boate que pegou fogo
-PORTO ALEGRE- O tenente-bombeiro Roberto Flávio da Silveira e Souza, sócio da empresa que instalou as barras antipânico na boate Kiss, que pegou fogo em Santa Maria (RS), foi expulso da corporação, segundo publicação feita no Diário Oficial do Rio Grande do Sul anteontem. Souza estava na reserva desde abril e, com a exclusão, perde todos os direitos, inclusive a aposentadoria.
Segundo a investigação policial do caso, as barras dificultaram a evacuação do local durante o incêndio que matou 242 pessoas na madrugada de 27 de janeiro de 2013. Souza foi o primeiro acusado de participar das mortes a ter uma punição anunciada. Ele chegou a ser indiciado em um Inquérito Policial Militar (IPM) aberto pela Brigada Militar, mas o caso acabou se restringindo à esfera corporativa porque o Ministério Público arquivou o caso por falta de provas da participação do oficial na gestão da Hidramix. No IPM, o Conselho de Disciplina da brigada considerou que houve “transgressão disciplinar em decorrência do exercício ilegal da profissão e improbidade administrativa”.
O desligamento foi confirmado tanto pelo comando-geral da corporação como pelo governador Tarso Genro (PT), que assinou a portaria de expulsão em setembro. O sargento apelou formalmente ao governador para que não confirmasse a decisão, mas não foi atendido.
Para Souza, que vai recorrer à Justiça, a pena foi “injusta”:
— Por que a pena máxima se a turma que fez o julgamento não foi unânime? Não tenho nada a ver com o acidente. Apenas dava consultoria à empresa. E, segundo a perícia, tanto as barras quanto a porta estavam em conformidade com a legislação. Segundo o oficial, a punição também não levou em consideração seu histórico “só com elogios” dentro da Brigada Militar ao longo de 31 anos.