18/11/2014

Empresário conhecido em Bagé é apontado como “coração" do esquema de propina da Petrobras


Camargo teve autos de depoimento divulgados pelo portal G1


Delator é proprietário do Haras Old Friends


Depois de ter ocupado as principais manchetes nacionais e internacionais, no ano 2000, quando o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, conhecido como Lalau, foi encontrado em um motel do município, após não ter se apresentado à Justiça apesar de decretada sua prisão preventiva em abril daquele ano, no caso de desvio de dinheiro para construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, na década de 90, Bagé volta a ser ligada a um novo escândalo: na operação Lava Jato.
Na noite de domingo, notícia publicada pelo portal G1 apresentou trechos dos autos de dois delatores ouvidos por procuradores da República detalhando o esquema de propina - estimada em R$ 154 milhões - para pessoas apontadas como operadores do PT e do PMDB dentro da Petrobras. O suborno teria sido usado para garantir que grandes empreiteiras do país executassem obras bilionárias para estatal do petróleo.
Nesse fato, um empresário conhecido dos bageenses, Júlio Camargo, proprietário do Haras Old Friends, localizado no município, foi um dos executivos que fez acordo de delação premiada para tentar garantir uma eventual redução de pena. Conforme a publicação, tanto Camargo quanto o outro delator, o empresário Augusto Ribeiro, teriam afirmado que os pagamentos de propina tinham como destinatários o ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque, indicado pelo PT para o cargo de alto escalão, e o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema. O petista já foi preso e o peemedebista encontra-se, no momento, foragido.

Cartel
De acordo com o texto da investigação publicada pelo G1, os delatores citaram a formação de um cartel para dividir entre si projetos da Petrobras, cobrando o valor máximo previsto nas licitações e pagando suborno equivalente a 3% dos contratos. Segundo posição referida a Camargo, ele teria pago 40 milhões de dólares (equivalentes a R$ 104 milhões) ao lobista Fernando Baiano para garantir que uma empresa sul-coreana fornecesse à Petrobras sondas de perfuração para serem usadas na África e no Golfo do México. Também teria afirmado que era ele quem negociava e pagava as propinas ao ex-diretor de Serviços da petroleira. Ele apontou, inclusive, que os valores eram pagos com parte do dinheiro que ele recebia por “supostamente” prestar serviços de "consultoria" às empreiteiras.
O delator teria dito, também, que a construtora Camargo Corrêa, da qual é sócio, cuidava do suborno destinado a Paulo Roberto Costa.
O esquema, conforme o depoimento de Camargo, teria iniciado ainda em 2005, quando ele como agente de uma empresa sul-coreana para oferecer à Petrobras sondas de perfuração que seriam usadas na África e no Golfo do México. Para fechar o negócio, ele aceitou pagar propina de US$ 15 milhões (correspondentes a R$ 39 milhões) ao lobista Baiano.
O empresário ainda disse ter pago R$ 6 milhões em propina à Diretoria de Serviços da Petrobras para que o consórcio que ele representava, integrado pelas construtoras Camargo Corrêa e OAS, executassem as obras de uma das unidades da Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos, no interior paulista, mais R$ 3 milhões para o consórcio TSGás executar o gasoduto Cabiúnas 2 – através da dispensa de licitação -, e cerca de R$ 20 milhões em propina ao diretor de Serviços da Petrobras durante a obra de construção de uma unidade da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no município de Araucária, no Paraná, além de outros três casos (Repar 2, Urucu-Manaus, e Comperj).
Conforme o Ministério Público Federal (MPF), Camargo seria uma espécie de “coordenador” junto às empreiteiras, e até mesmo fora citado como o “coração" do esquema.

Fonte: http://www.jornalfolhadosul.com.br