A região da Campanha tem sofrido com um abril de elevada precipitação cujo volume acumulado na cidade de Bagé, já ultrapassou os 300 milímetros em 25 dias. Essa sequência de dias chuvosos tem causado transtornos para o interior do município. Na área rural, além das lavouras estarem sem condições de colheita, principalmente a da soja, por conta das chuvas, a situação precária das estradas do interior também afeta o setor, pois muitos produtores não conseguem levar a produção até os engenhos.
Ontem, a situação preocupante fez com que fosse realizada uma reunião com cerca de cem produtores no Salão Nobre da Prefeitura de Bagé. Representantes do setor do agronegócio divulgaram números sobre o atual momento da safra. Com a apresentação de dados e a discussão de medidas que deveriam ser adotadas para o setor, o prefeito Dudu Colombo decretou situação de emergência para a Rainha da Fronteira.
Presente no evento, o vice-presidente da Farsul, Gedeão Silveira Pereira, destacou que os produtores precisam que a prefeitura resolva o problema do escoamento da safra de grãos, principalmente a da soja, a mais afetada no momento. “Até o momento, chegamos em cerca de 14% da área colhida no município. Precisamos colher e escoar o grão em tempo para que as perdas não aumentem ainda mais”, ressaltou o dirigente.
O empresário Valmor Coradini Júnior frisou que a situação é muito grave. “Há 86% de área para ser colhida e hoje (ontem), já estaríamos com boa parte da lavoura de soja já colhida e o arroz também. Os contratos estão vencendo com as empresas e isso afetará o bolso do produtor e o comércio, com reflexos negativos na arrecadação do município. Certamente, quando o tempo ajudar, os produtores estarão trabalhando 24 horas para realizar essa colheita, as empresas de armazenagem e os caminhoneiros também. Esperamos que a prefeitura também faça esse esforço”, disse.
De posse de um levantamento feito na Associação e Sindicato Rural, na manhã de ontem, o presidente da entidade, Rodrigo Moglia, contabilizou com os produtores uma quebra de 38% até ontem na safra de soja. “Isso equivale a R$ 113 milhões que o município deixará de arrecadar. Até agora sabe-se que foram colhidos apenas 5, 500 hectares de soja. Se continuar chovendo, esse atraso e os prejuízos irão aumentar ainda mais. Por isso, precisamos que a prefeitura tome uma medida emergencial, em especial em oito pontos críticos de estradas do município, para que de alguma forma seja escoada essa produção”, declarou Moglia.
Em sua fala, o prefeito Dudu Colombo, manifestou apoio aos produtores e reconheceu a situação problemática que o município enfrenta. Ao assinar o decreto de situação de emergência, Colombo, comentou que há possibilidade de que em 72h a Defesa Civil do Estado aceite tal posição. “Esperamos que consigamos assim recursos para a recuperação emergencial de infraestrutura nesses pontos críticos. Dedicaremos todos os reforços necessários para reparar esses locais, mas sabemos que temos uma dificuldade de fazer uma intervenção mais qualificada porque a chuva não está favorecendo. Iremos trabalhar com todas as forças para auxiliar o escoamento da produção”, garante.
Candiota
Ontem, a prefeitura de Candiota também assinou um decreto de estado de emergência. O secretário da Agricultura do município, Artêmio Parcianello, comentou que houve nos últimos dias um levantamento de perdas na produção primária do município, em especial da soja. “Na quarta-feira passada, fechamos o levantamento junto à Emater com 20% de quebra na safra da soja. No entanto, choveu nos últimos dias e acreditamos que esse número aumentou”, ponderou. O secretário comentou que o levantamento final será finalizado amanhã e encaminhado junto ao pedido de decreto de emergência para a Defesa Civil do Estado.
Barragem rompeu
Já em Aceguá, o atendente de associados da Cooperativa Agrícola Mista Aceguá Ltda. (Camal), do posto da Colônia Nova, Paulo Roberto Porciúncula, relata que o excesso de chuva foi tanto no final de semana que a barragem da cooperativa rompeu. “O reservatório não aguentou e estourou. Já estamos trabalhando com o maquinário e equipe no local para não prejudicar o abastecimento, mas essa situação ocorreu porque em um dia choveu 130 milímetros”, explicou.
Aceguá
O prefeito de Aceguá, Júlio César Pintos, destacou que as estradas rurais estão em condições razoáveis de trafegabilidade, com alguns pontos com alagamentos e atoleiros, mas esses últimos estão sendo reparados com uma equipe de prontidão da prefeitura. Em relação à produção primária, o prefeito enfatiza que a soja está no ponto de colheita e que já houve atraso na semeadura da cultura, no segundo semestre do ano passado, em decorrência do excesso de chuvas. “Tivemos uma reunião com o nosso Conselho de Defesa Civil que por meio de estimativas na sexta-feira, apontava uma perda de 30% nas lavouras de soja. No entanto, esse índice já deve ter aumentado com as chuvas do final de semana. Assim, as perdas na soja são crescentes e trarão um reflexo negativo para o município”, explicou o prefeito de Aceguá.
Segundo Pintos, até hoje, o decreto de emergência no município deverá ser assinado, o que permitirá que os produtores tenham amenizado um pouco suas perdas, com amparo legal para tratar de seu endividamento.
Até o fechamento desta edição, o município de Pedras Altas já tinha decretado situação de emergência. Dom Pedrito e Pinheiro Machado deverão decretar hoje.
Fonte: http://www.jornalfolhadosul.com.br
