O Ministério da Saúde deve investir R$ 500 milhões para compra de três novos medicamentos para o tratamento da hepatite C. Isso representa qualidade de vida, como destacou o presidente do Grupo de Apoio aos Portadores de Hepatite, Luís Carlos Porcellis. O novo tratamento é composto pelos medicamentos daclatasvir, sofosbuvir e simeprevir e tem uma taxa de cura de 90%, como destacou a informação oficial do Ministério da Saúde.
O percentual é significativamente maior que todos os tratamentos utilizados até então (que varia entre 50% e 70%). Além disso, é considerado por paciente como Porcellis como menos invasivo. O tratamento tem duração de 12 semanas contra as 48 semanas da terapia anterior. Outra vantagem é que é oral: sinônimo de conforto ao pacientes.
Isso representa uma vitória, como destacou o presidente do Gaph, mas também é o momento ideal para conscientizar a população quanto á necessidade de submissão ao teste rápido de hepatites, disponibilizado pela rede SUS. Ele comenta que 80% dos portadores de hepatite do tipo C não sabem sobre sua carga viral. "É preciso investir em campanhas e facilitar o acesso aos testes rápidos", opinou.
Adoção e disponibilização
A previsão é de que a portaria comunicando a inclusão dos medicamentos no Sistema Único de Saúde seja publicada na próxima semana. Com isso, os pacientes com hepatite C crônica poderão ter acesso à medicação, que será adquirida de maneira centralizada pelo Ministério da Saúde para a distribuição aos estados, até o final do ano. O Brasil é um dos primeiros países a adotar essa nova tecnologia na rede pública de saúde, com acesso universal e gratuito.
A doença
A hepatite C é causada pelo vírus C (HCV). A transmissão ocorre por meio de transfusão de sangue, compartilhamento de material para preparo e uso de drogas, objetos de higiene pessoal - como lâminas de barbear e depilar -, alicates de unha, além de outros objetos que furam ou cortam na confecção de tatuagem e colocação de piercings. Mais de 400 pacientes são atendidos pelo Serviço de Atenção Integral à Sexualidade: desses, mais de 300 são portadores de hepatite do tipo C. No Brasil, estima-se, com base em estudos de soroprevalência, que entre 1,4 a 1,7 milhão de pessoas podem ter tido contato com o vírus, sendo a maior parte na faixa etária dos 45 anos ou mais. Essa concentração em pessoas com mais idade ocorre porque até o início dos anos 1990 não existiam testes capazes de detectar o vírus da hepatite C em transfusões de sangue e os procedimentos de biossegurança em atendimentos médicos e odontológicos eram muito menos rigorosos que os atualmente empregados.
Fonte: http://www.jornalfolhadosul.com.br