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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Doação estava com o depoimento do Prefeito Roque Montagner (PT) previsto para esta terça-feira, 19 de maio. Estava, porque o Prefeito comunicou em ofício entregue pelo Secretário de Administração, Caio Flávio Aloy, que não compareceria à sessão da CPI por alegar divergências com o Relator, Vereador Cilon Lisoski (PR). E já trouxe polêmica, pois o documento trouxe graves acusações, que foram rechaçadas pelo parlamentar.
No documento entregue e protocolado por Caio Aloy junto à Administração da Casa, Roque alega que o Relator é "inimigo declarado seu" e que o objetivo da CPI já está claro, que é de "indicar sua cassação", além de que a CPI deixou de ouvir autoridades anteriores a este governo, se referindo ao ex-prefeito Balbo Teixeira (PSB), que não compareceu alegando problemas de saúde e estar impossibilitado disso. Além disso, os esclarecimentos já teriam sido prestados pelos outros depoentes. E que já estaria com ação penal contra Cilon por "ofensas públicas a minha honra"
Os vereadores lamentaram e decidiram não convocá-lo mais novamente. O Relator Cilon anunciou que iria à Delegacia de Polícia prestar queixa contra o Prefeito, "para resguardar a Câmara de Vereadores e a sua integridade física, por que publicamente ele anunciou que somos seus inimigos pessoais", afirmou. Ele disse ainda que jamais ofendeu publicamente a honra pessoal do Prefeito, sendo que as críticas foram destinadas à forma de gestão do município.
A CPI deverá ter mais um episódio na segunda-feira, 25 de maio, com a elaboração e apresentação do relatório final, a partir das 8h30. Confira a íntegra do ofício entregue à CPI:
Senhor Presidente,
Ao cumprimentá-lo, cordialmente, venho responder ao convite para comparecimento nesta CPI, na forma que segue:
Considerando que já foi adiantado publicamente pelo Presidente da CPI, assim como pelo Relator, em sessões da Câmara, de que a finalidade da Comissão é emitir relatório indicando a minha cassação;
Considerando que o Relator é meu inimigo declarado desde que não atendi o seu pedido de 32 cargos comissionados e duas secretarias no Governo;
Considerando que já foi ajuizada ação penal em que figuro na qualidade de querelante contra o Relator da CPI, por ofensas públicas a minha honra;
Considerando que a CPI deixou de ouvir autoridades anteriores a este governo que estiveram diretamente ligadas a doação investigada, deixando de apurar indícios de ilícitos por elas, demonstrando que a única finalidade da CPI é política de oposição ao atual Governo legitimamente eleito;
Considerando que os esclarecimentos que poderia prestar já foramcontemplados nos depoimentos dos que já foram ouvidos até a presente data, quais isentam de qualquer responsabilidade meus atos no episódio de doação e deles decorrentes;
Considerando que já existe Ação Popular ajuizada em pleno andamento que se deu com o mesmo objeto da CPI, porém, com parecer do Ministério Público para que seja contemplado os fatos que se deram a cerca da doação sob pena da não ter qualquer resultado prático em benefício do Município, atingindo assim finalidade maior que o objeto da CPI;
Resolvo: Deixar de atender o r. convite a fim de evitar mais desgaste despropositado entre o Executivo e o Legislativo, não havendo qualquer importância meu comparecimento que em nada mudará o relatório final já definido pelo Relator que não possui a mínima isenção para relatar devido sua iminizade com minha pessoa e de conhecimento público.
Sem mais, ao tempo que renovamos votos de estima e consideração.
Fonte: http://www.caderno7.com