17/07/2014

Casos de violência preocupam moradores da zona Leste

A insegurança ronda os bairros Prado Velho, Morgado Rosa, Habitar Brasil e Balança, na zona Leste.

Ana Paula afirma que situação não é tão grave
Crédito: FRANCISCO DE ASSIS
Os moradores demonstram preocupação com os casos de tráfico de drogas, vandalismo e arrombamentos.
No mês passado, o ginásio Mosquitão foi interditado pela prefeitura devido a uma série de depredações, incêndio nos banheiros e a guarita do ronda, destruição de vidros, portões, das arquibancadas e pichações.
No Prado Velho, há cerca de três meses, a população revoltada, invadiu o terreno pertencente ao município. Os moradores reclamavam que a área era utilizada por usuários de drogas. Também houve relatos de tiroteios, assaltos e uma série de incidentes no Habitar Brasil.

Insegurança
Há 10 anos, a auxiliar de produção, Saionara Pereira Machado, 37 anos, foi contemplada com uma casa no bairro Habitar Brasil. Para a moradora, a sensação de insegurança piora a cada dia. "É possível ver crianças com 12 anos vendendo drogas nas esquinas. Não podemos mais deixar as casas sem cuidado, porque os marginais conhecem a movimentação e arrombam as residências. É muito adolescente usando droga e todo mundo sabe quem são", salienta.
Já a presidente da Associação de Moradores do Bairro Habitar Brasil, Ana Paula Machado Gomes diverge da maioria dos moradores. "A situação não é tão grave como falam. No incidente do ginásio foi apenas uma pessoa que ateou fogo. Há drogas e tráfico como em todos os bairros, mas o policiamento funciona. Os policiais prendem os bandidos, mas em seguida voltam para o bairro", alega.
O programa de Policiamento Comunitário atende ao bairro, onde uma viatura circula periodicamente pelas ruas. No entanto, mesmo com o policiamento, são relatados casos de tráfico e consumo de drogas.

Morgado Rosa
Sair à noite é algo que a dona de casa, Marta Helena Silva Rocha, não faz mais. "Tem brigas, tiros e arrombamentos, tudo em decorrência das drogas. Às vezes eu vejo a viatura da polícia no bairro, mas não tenho confiança em deixar a casa sozinha. Sempre que tenho de sair por algum motivo, deixo um caseiro", relata a moradora do bairro Morgado Rosa.
Para o presidente da associação de moradores, Manuel Antônio da Silva, a carência de infraestrutura do bairro provoca falta de perspectiva aos jovens e em alguns moradores, influenciando nos níveis de criminalidade. "Problemas do bairro são estruturais. Falta iluminação, o esgoto a céu aberto, as ruas sem manutenção, falta de espaços de lazer, isso tudo acaba deixando a comunidade com pouca perspectiva e os jovens recorrem às drogas como refúgio. O bairro está abandonado", observa.

Policiamento
O projeto iniciou em Bagé em 2005, onde uma equipe de policiais atuava em todos os bairros, conforme um cronograma semanal. Neste ano, foi implantado um novo modelo, transformado o Policiamento Comunitário em programa. Os policiais moram nos bairros ou próximo, buscando um maior contato com os moradores e atuando de forma preventiva com orientações, além de manter a presença ostensiva da Brigada Militar. Os soldados atendem a situações de vulnerabilidade social como violência doméstica e drogadição.

Conforme o capitão Fábio Martinez Maciel responsável pelo Policiamento Comunitário em Bagé, a maioria dos problemas relatados pelos moradores é decorrente do tráfico e consumo de drogas. O oficial da brigada observa que o programa é eficaz até certo ponto. "Seriam necessárias outras políticas sociais e maior integração da comunidade do bairro para consolidar efetivamente o programa", argumenta