A mobilização dos professores e alunos da rede estadual de ensino continua. Alunos da escola Luiz Maria Ferraz (Ciep) e Carlos Kluwe não tiveram aulas na manhã de ontem. Apesar da greve dos docentes, deflagrada na sexta-feira, e da ocupação dos estudantes, na quarta-feira, as instituições estavam com suas atividades normais. Discentes ligados à União Bageense de Estudantes Secundaristas e grêmios estudantis realizaram protestos em frente às escolas nas primeiras horas da manhã.
Os grupos bloquearam as entradas e mobilizaram os colegas para a paralisação. Na escola Ciep, um “panelaço” foi a estratégia. No Silveira Martins, a ocupação prossegue. Representantes do comando de greve do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers Sindicato) estiveram na cidade e também dialogaram com professores e estudantes.
A diretora do Ciep, Clívia Cardoso, explica que o movimento foi pacífico. “Quando chegamos, eles estavam bloqueando o acesso à escola”, relata. A professora conta que foi feita uma negociação com os manifestantes. “Por meio do diálogo, eles liberaram o acesso dos professores, que não estão em greve, mas os alunos permaneceram do lado de fora”, esclarece.
Na escola Carlos Kluwe, isso também ocorreu. O presidente da Ubes, Bruno Acosta, 18 anos, justificou a iniciativa: “Queremos mostrar nossa indignação ao governo”. Acosta conta que atividades foram desenvolvidas no local. “Realizamos uma oficina de grafite e atividades culturais para os estudantes”, concluiu.
Cpers
A dirigente do Centro dos Professores do Estados do Rio Grande do Sul (Cpers Sindicato), Sônia Solange Viana, integrante da direção central e do comando de greve da categoria, está em Bagé desde quarta-feira. A sindicalista é uma das 30 ligadas à entidade que realizam uma série de visitas aos núcleos do Cpers. Isso para mobilizar os servidores.
Sônia explica que, além do parcelamento dos salários, o governo do Estado "sucateia" a educação. “Eles querem acabar com nosso plano de carreira, privatizar a educação e o Instituto de Previdência do Estado”, alerta. A servidora afirma que os projetos de lei de autoria do Executivo, que tramitam na Assembleia Legislativa, “atacam” os trabalhadores. “Além de acabar com o plano de carreira, que nos dá tranquilidade para a aposentadoria, querem terminar com a paridade entre os servidores ativos e inativos”, argumenta.
A sindicalista afirma que o projeto defendido pelo governo, na prática, faz com que o reajuste concedido aos trabalhadores ativos seja diferente da reposição salarial dos aposentados. O congelamento dos salários é outra motivação para o movimento grevista. “Não concederam reajuste e aumentaram o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o que aumenta o preço dos produtos e nos afeta diretamente”, reclama. O fim do abono salarial de difícil acesso aos professores e trabalhadores de escolas é outro ponto abordado.
Soluções
A sindicalista informa que o Cpers busca que o diálogo com o governo do Estado seja estabelecido. “Queremos que seja formada uma mesa de negociação, na qual o secretário da Fazenda do Estado tenha autonomia”, frisa. Sônia afirma que o sindicato quer o fim do parcelamento e dos projetos que “atacam” os servidores - pede-se a retirada da Assembleia Legislativa. Quanto aos salários, a categoria apresenta reivindicações: “Buscamos que nos concedam, ao menos, a revisão anual, que este ano foi de 11,33%, pois o déficit nos vencimentos dos professores já chega a 69.44%” declara.
Estudantes
A servidora relata que, ao mesmo tempo em que aconteceu a assembleia do Cpres no ginásio Gigantinho, em Porto Alegre, do lado de fora um grupo de estudantes também realizava um encontro. Os alunos decidiram apoiar a greve dos educadores e ocupar as escolas. “Não pedimos nada. Simplesmente decidiram nos apoiar”, elucida.
Sônia conta que o apoio dos estudantes emociona. “Em meio a toda confusão que o país vive, o protagonismo que os jovens estão tendo neste momento é emocionante”, afirma. A sindicalista garante que o papel dos alunos é fundamental. “Eles estão lutando pelo que é deles em uma mobilização organizada, com discursos politizados e sem arruaça”, afirma.
CRE
Aristides Costa, titular da 13ª Coordenadoria Regional de Educação, acompanhado da chefe do departamento de Recursos Humanos, Ana Denise Soares da Silveira, esteve na escola Silveira Martins, na manhã de ontem. A visita foi realizada a pedido da direção do estabelecimento e teve como objetivo estabelecer um diálogo com os alunos do grêmio estudantil, que ocupam o local desde terça-feira.
O coordenador ouviu as reivindicações do grupo e explicou os impedimentos na liberação do ginásio da escola. Costa se comprometeu a buscar mais atenção da Secretaria de Educação e garantiu estar à disposição dos discentes. “A 13ª CRE está sempre pronta a dialogar e intervir, buscando uma aproximação entre a comunidade escolar e o governo do Estado, na busca de soluções para os problemas da região", conclui.
Fonte: http://www.jornalfolhadosul.com.br
