Manifestações de um grupo de cidadãos que se denominam SOS em Defesa do Parque Internacional começaram a espoucar nas redes sociais, contra a obra de construção do Centro de Visitantes, edificado via Ministério do Turismo do Uruguai com financiamento de US$ 270 mil do Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID).
Pela rede Facebook, por exemplo, há os cidadãos que expressam suas opiniões contrárias à obra.
A edificação, na prática, acabou gerando, mais do que a polêmica - que já pode ser considerada tradição e hábito nos atos e feitos da Fronteira da Paz - uma guerra de opiniões.
De efetivo, após vários meses, o Parque Internacional se torna, novamente tema de debate, ou sob outro ângulo de visão, os olhos da cidadania se voltam para o Parque Internacional.
Os cidadãos contrários à obra convocaram, via rede social, o que qualificaram como uma mobilização. Marcaram data: o dia do aniversário do parque, 26 de fevereiro. Pela página no Facebook, 3.100 pessoas haviam sido convidadas a participar - até ontem à tarde e 181 confirmaram presença, considerando-se o mesmo horário.
Ontem, 17, também via redes sociais, foram tentados contatos com alguns dos organizadores, sem, entretanto, ter havido retorno até o fechamento desta edição.
Os integrantes do Movimento SOS em Defesa do Parque Internacional recordam que a Praça Internacional foi criada como símbolo da Paz Universal, quando o mundo se encontrava em Guerra, sendo inaugurada em 26 de fevereiro de 1943.
“Baseada nos preceitos de liberdade, igualdade e fraternidade (lema da Revolução Francesa), este símbolo de integração da nossa fronteira, em seu mês de aniversário, encontra-se ameaçado” - entendem os contrários à edificação.
E, então convidam a comunidade fronteiriça para no dia de aniversário de 73 anos, encontrar-se, no seu coração junto a Estátua da Mãe, para “compartilhar ideias, impressões, opiniões, sobre a urgência de se preservar o maior símbolo de identidade do povo fronteiriço”.
“Convidamos todos aqueles que tem memórias, que lembram carinhosamente desse Parque/Praça, que tragam seus filhos, familias, suas histórias para compartilhar neste dia, já que nosso Parque, em vias de modificação, pode desaparecer da forma que conhecemos. Vamos resgatar esse patrimônio!” - expressam, em suas manifestações.
A expectativa é de que os integrantes da mobilização designem porta-voz para acentuar os contatos com os meios de comunicação.
O estopim, além das redes sociais foi uma Nota de Esclarecimento do arquiteto e urbanista José Cláudio Menezes, recebida ontem, 17, em A Plateia. Ele afirma que as obras não passaram pelos trâmites e aprovação e licenciamento na Prefeitura Municipal.
Menezes escreve um alerta de que o Parque é um dos imóveis inventariados no Plano Diretor Participativo e também conta com a proteção de outras leis, inclusive uma específica. Segundo ele, por tratar-se de patrimônio histórico, toda e qualquer alteração deverá contar com projeto aprovado pelos órgãos competentes e aprovação do Conselho de Planejamento da Cidade.
“Acredito que por tratar-se do cartão postal de nossa cidade a população deveria ser consultada através de audiência pública” - manifesta.
“Diante disso manifesto-me mais uma vez como cidadão, técnico e funcionário da Prefeitura Municipal, contrariamente a administração pública do nosso município, por esta não preservar o nosso patrimônio histórico, por não considerar relevantes os argumentos técnicos e por não consultar a população na tomada de decisões tão importantes para a comunidade. E mais uma vez, venho manifestar-me com o objetivo de preservar a imagem dos profissionais da área de engenharia e arquitetura da Prefeitura Municipal, esclarecendo que fomos surpreendidos pelas obras” - conclui.
O arquiteto Martín Garcia, da Intendência Departamental de Rivera (IDR), responsável pelas obras disse que oficialmente até agora nada chegou até o Poder Executivo riverense. Garcia tomou conhecimento da carta do arquiteto e urbanista José Cláudio Menezes e, logo após confirmar que todos os procedimentos necessários foram realizados, bem como trâmites documentais realizados, respondeu alguns questionamentos.
A Plateia - Como a IDR recebe as posições contrárias?
Martín Garcia - A obra gera, sim, várias opiniões e todas são dignas de respeito. Todas podem ser compartilhadas e divulgadas, sem problemas. Quanto ao projeto, foi concebido e pensado para não agredir o entorno ou a estrutura original do Parque Internacional. A finalidade é, sim, contribuir para levantar e fortalecer um setor do Parque que está bastane discriminado. E, acredito que tudo virá de forma que as pessoas possam aproveitar mais. Entendemos que as pessoas não desfrutam do Parque como deveriam ou poderiam e a presença de pessoas e movimento quase 24 horas ali, uma vez que comece a funcionar o Centro de Informações, contribuirá para que as pessoas permaneçam sem correr riscos de nada.
A Plateia - Que entendimento existe sobre a área do Parque? É todo binacional, tem lado brasileiro e lado uruguaio ou há outro conceito?
Martín Garcia - É território binacional, todo brasileiro e todo uruguaio. Neste caso, a IDR trabalhou em conjunto com a Prefeitura. Compartilhamos a obra e não há nada oficial sobre manifestações contrárias a partir da maioria da população.
A Plateia - Sobre os documentos da obra, está tudo regular?
Martín Garcia - Está registrada na Intendência de Rivera. Não vejo se há outros níveis para registrar. Do lado brasileiro, imagino que também tenha sido encaminhado.
A Plateia - A obra continua normal?
Martín Garcia - Continua seu curso normal, oficialmente não há nenhum movimento, ao que nos tenha chegado. Há entusiasmo para terminar o Centro dentro do prazo (cinco meses). Até agora, não ocorreram interferências.
FAVORÁVEL
“Fazem muitos anos que o Parque Internacional virou uma zorra, feiras, festivais, parques de diversões, venda de cachorro-quentes, prostituição, rebentaram todo o solo. Olhem a calçada na frente das vans de cachorro quente, todas quebradas, o fedor de graxa. Acho que agora sim vão fazer algo decente arrumado para o turista e para o santanese. Nunca protestamos contra essa zorra. Agora nos lembramos do Parque! Gozado, né?” José Carlos Lobato Bongers, advogado e professor
CONTRÁRIA
Acho que não podemos aceitar uma imposição feita de cima para baixo. Nós, os proprietários deste Parque, nós que pagamos nossos impostos, que amamos nossa cidade com todas suas carências, não podemos aceitar está edificação em um lugar que nos pertence e que ignoraram nossa opinião. Este espaço não está à venda, nem disponível a ocupação indevida. Enfatizo, nós não demos validade. Quem deu? Precisamos saber! Carmen Lúcia Barcellos Serralta.
Fonte: http://www.aplateia.com.br
