01/12/2014

Como a venda e o consumo de entorpecentes influenciam a ilegalidade

O uso e a venda de drogas são capazes de influenciar sobre os índices de outros tipos de crimes na região.

Ocorrências de roubo subiram em 2014 - Créditos: reprodução jm Maioria dos homicídios teve ligação com entorpecentes - Créditos: reprodução jm

Pequenos furtos podem estar relacionados a usuários de drogas - Créditos: reprodução jm Número de apreensões aumentou - Créditos: reprodução jm

Esta é a análise de delegados e que pode ser confirmada por dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP), de ocorrências registradas ao longo de 2013 e nos primeiros nove meses de 2014, em todos os municípios do Estado.
No mesmo período, Bagé registrou oito homicídios em 2013 e sete em 2014. O oitavo crime aconteceu durante o último final de semana, em um campo próximo ao Parque do Gaúcho.
Conforme o delegado Alcindo Martins, em pelo menos quatro situações, as mortes estavam relacionadas a entorpecentes. "Em uma delas a vítima cumpria pena por tráfico. Nas outras, foram brigas ligadas ao tráfico", esclarece.
Além desses, há casos que acabam envolvendo e, às vezes, colocando em perigo, aqueles que não possuem relação com as drogas, como o aumento nos furtos registrados e assaltos para o pagamento de dívidas.
Em Bagé, o ano de 2013 encerrou com o número de 1 465 furtos e 242 assaltos. Já em 2014, os dados da SSP haviam registrado, até setembro, 1 460 roubos e 192 assaltos. Outro fator importante a ser analisado, para o delegado regional, é o aumento da população. "Quando a cidade cresce, a incidência desses crimes também aumenta", avalia.
Assim como os números de furtos, o volume de apreensões de tráfico também cresceu. Foram 59 vezes em que a Polícia ou a Brigada Militar recolheram entorpecentes ao longo de 2013. Até setembro deste ano, foram 61 casos. Para o delegado titular da Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec), Cristiano Ritta, qualquer apreensão é positiva. "É sempre bom quando conseguimos tirar a droga das ruas", diz.
Ritta afirma que é possível perceber o aumento de outros crimes e fazer a relação com o tráfico. Quando um grande volume de entorpecentes é pego, conforme o delegado, isto tem influência direta no número de crimes violentos, como assaltos a estabelecimentos comerciais e arrombamentos em residências. "Quando eles perdem carga de droga, precisam pagar o fornecedor de alguma forma", explica. Já os crimes como os pequenos furtos são relacionados aos usuários, que "precisam" manter o vício.

Apreensões
O número de capturas também não é tão significativo quanto à quantidade, segundo Ritta. No ano passado, a Defrec recolheu mais de 110 quilos de todos os tipos de entorpecentes. O destaque foi para o crack. Somente em uma das operações realizadas no ano, a PC recolheu seis quilos. Em 2014, o delegado afirma que a polícia e a Brigada Militar recolheram uma quantidade maior de maconha. O tipo de entorpecente também faz a diferença nas finanças dos traficantes. "Um quilo de crack tem um impacto financeiro maior do que um quilo de maconha. É uma droga que rende mais. A cocaína também. Os traficantes não a transportam em grandes volumes porque é muito cara", diz.

Violência na região
Aceguá, Candiota e Hulha Negra chamam atenção, principalmente, pelos baixos índices de criminalidade apresentados na SSP. Em 2013, Aceguá registrou um caso de homicídio, mas nenhum de roubo, furto de veículo e latrocínio. A polícia também não flagrou nenhum caso de posse de entorpecente ou tráfico, assim como crimes relacionados a porte ilegal de armas.
Na Capital do carvão, nenhum homicídio, roubo ou latrocínio e nenhum caso de tráfico de entorpecentes em 2013, assim como em Hulha Negra. O delegado regional, Alcindo Martins, ressalta que estes números, se comparados aos das cidades próximas, são baixos. "A nossa Região da Campanha sempre foi muito calma", afirma. Martins compara com cidades como Pelotas, que apresentou índices, em 2013, de 53 homicídios.
Neste ano, até o mês de setembro, nenhum homicídio havia sido registrado nas três cidades. Entretanto, recentemente, Candiota registrou a morte de Rodrigo Fontoura da Rocha, 34 anos. O jovem ficou internado na Santa Casa de Caridade de Bagé após uma briga no bairro Dario Lassance, mas não resistiu aos ferimentos.
Os casos de furto não tiveram aumento, entretanto, os números indicam a situação até setembro. Em 2013, Aceguá teve 61 casos, Candiota 168 e Hulha Negra 65. Em 2014, esses números foram de 46, 135 e 43, respectivamente. No ano passado, também nenhum roubo foi registrado, mas em 2014, Candiota teve 192. Aceguá registrou um e Hulha cinco crimes.

Fonte: http://www.jornalminuano.com.br