24/07/2017

Santana do Livramento - Legalização da maconha no Uruguai: Sem impacto na fronteira

Na última quarta-feira (21), o país vizinho, Uruguai, deu início à venda de maconha para uso recreativo, nas farmácias. O país é o primeiro do mundo a distribuir a substância legalmente por meio de rede autorizada, o processo de venda será monitorado por um mecanismo estatal.
Conforme a nova regra, interessados poderão adquirir a substância em 16 farmácias registradas pelo país, sendo a maioria na capital Montevidéu.
Para ter acesso à maconha legal, é necessário a impressão digital do usuário e haverá um limite de compras semanais de 10 gramas, e mensais de 40 gramas. Os consumidores devem ter mais de 18 anos, cidadania uruguaia ou residência no país há mais de um ano.
A venda em farmácias ainda é limitada e não cobre todo o território do Uruguai, mas as autoridades acreditam que, pouco a pouco, irão adicionar mais estabelecimentos e registrar mais consumidores, pois isso fará com que o produto possa ser adquirido por meios legais sem exposição do usuário aos riscos de comércio ilegal.
A liberação da venda de maconha em farmácias estava prevista na lei que regulou a produção, comercialização e distribuição da droga. A regra havia sido aprovada em dezembro de 2013 durante o governo do então presidente José Mujica.
Em Rivera, cidade uruguaia vizinha, não há farmácias cadastradas para o comércio legal da maconha. Portanto, acredita-se que a liberação, não acarretará grandes impactos em Sant’Ana do Livramento.
A reportagem de A Plateia buscou conversar com um profissional que trabalha o tema de drogas diariamente com jovens e adolescentes, o soldado da Brigada Militar Luís Couto. Referente o aumento de usuários devido à legalização no país vizinho, acredita que não aumentará, pois, a legalização proporcionará uma oferta aos uruguaios, já que o regramento refere-se a eles e não aos brasileiros. Para Luís, O consumo dos usuários, sim, pode vir a aumentar, mas para quem não é usuário a legislação não trará grandes consequências, pois legalizar um produto não potencializa o uso, mas sim, aumenta de quem já o utiliza.
O problema que pode ser ocasionado pela liberação no país vizinho, segundo Luís, é a utilização em nosso espaço territorial, pois a nossa legislação prevê ações frente a estas situações. Para isso é necessário reforçar a informação frente à família e à escola sobre os reflexos ocasionados pela droga.
É necessário compreender que a legislação visa oferecer aos usuários a droga, minimizando a exposição à violência. O problema não está somente na ação de oferecer, mas sim, nas consequências do uso e potencialização de sintomas relacionados à frequência cardíaca, atividade motora, memória curta prejudicando as capacidades de aprendizagem. É importante destacar que quando se  fala do uso terapêutico voltamos para pessoas que estejam em estado doentio e não pessoas que não possuam nenhuma anomalia. Nestes casos, a substância resulta em prejuízos e não benefícios.
O soldado complementa que liberar requer que as pessoas saibam tomar decisões corretas. A questão a ser levantada é se a liberação potencializará a necessidade de uma rede de apoio e tratamento, pois ao permitir tem-se a necessidade de oferecer tratamento.