Em assembleia geral do Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul – Cpers Sindicato-, realizada na sexta-feira, em Porto Alegre, os professores da rede estadual de ensino deflagraram greve por tempo indeterminado. O principal motivo é o novo parcelamento dos salários. Em Bagé, apenas na Escola Julinha da Costa Taborda, localizada no bairro Santa Flora, houve adesão ao movimento, com paralisação de cinco professores. Isso apenas no turno da manhã.
A 13ª Coordenadoria Regional de Educação informou que um levantamento oficial será publicado hoje. A justificativa é o fato de que o dia de ontem foi marcado por reuniões dos docentes - para avaliação do movimento. Na Escola Justino Costa Quintana, os alunos tiveram horário reduzido até sexta-feira (13). A diretora da instituição, Sônia Barbosa, explicou a mobilização. “Esse horário foi estabelecido até o dia em que os professores receberam a última parcela do salário”, conclui. Eles não paralisaram ontem.
A vice-diretora do turno da manhã da Escola Julinha da Costa Taborda, Elisa Delabary, elucida que a paralisação foi apenas durante o turno, quando cerca de 80 alunos não tiveram aula. “A escola funciona em três turnos: apenas os professores da manhã paralisaram”, enfatizou. Sobre hoje, ponderou: “Não sabemos se foi só ontem ou se o movimento vai continuar, pois são profissionais diferentes que trabalham a cada dia”, conclui.
A presidente do 17º Núcleo do Cpers, Rosane Mathucheski, conta que o comando de greve do sindicato está realizando visitas às escolas. “Estamos indo até os estabelecimentos e nos reunindo com os professores para mobilizar os colegas”, conclui. Rosane afirma que, hoje, o sindicato irá anunciar o número de escolas que aderiram ao movimento.
Contraponto
O governo do Estado emitiu nota oficial sobre o tema, na sexta-feira passada. No comunicado, o Executivo reitera que segue fazendo todos os esforços para recuperar o equilíbrio financeiro das contas públicas. Também garante que espera que as condições socioeconômicas do país possam melhorar, repercutindo na arrecadação - condição necessária para recuperação da qualidade do serviço público e o pagamento em dia do salário do funcionalismo, bem como para o repasse de verbas para as escolas.
A nota informa que foi feita, na quinta-feira, o depósito de R$ 5,7 milhões nas contas das escolas estaduais. O valor é referente a parte dos recursos destinados à manutenção das instituições. O governo afirma reconhecer as dificuldades estruturais do serviço público e aponta que "a solução não depende de mera vontade política".
Sobre a greve, o governo afirma, em nota, que "é fundamental que as aulas sejam mantidas regularmente, preservando o atendimento aos estudantes". Ainda ponderou que o acesso dos professores e alunos às escolas deve ser preservado. "Caso isso não ocorra, as Coordenadorias Regionais de Educação devem ser imediatamente comunicadas, conforme regem as normativas em vigor", consta no documento.
Fonte: http://www.jornalfolhadosul.com.br
