Em Bagé, a forte chuva do final de semana trouxe prejuízos, e muitos deles poderiam ser evitados. Na manhã de ontem, o prefeito Luis Eduardo Dudu Colombo dos Santos reuniu-se, no salão oval da prefeitura, para saber a situação em que o município se encontra, e decretar situação de emergência.
O prefeito conta que desde que começou a situação de alagamento, essa foi a terceira reunião com a Defesa Civil e secretários envolvidos. “Estamos trabalhando para atender todas as solicitações. Em 2009, tivemos uma situação parecida com essa, e foram 171 famílias atingidas. De lá para cá, planejamos ações para prevenir, como tirar pessoas de áreas de riscos, de áreas verdes e residências irregulares, que são as mais atingidas. Agora, até o momento, realizamos atendimento a 72 famílias. Houve uma redução significativa”, completa.
Colombo comenta que o governador também deve decretar situação de emergência. “Vai ser pedido situação de emergência para nosso município. A partir daí, tenho 10 dias para apresentar um laudo técnico para o Estado. O prazo para minha equipe entregar é de 48h, então, na quarta-feira (amanhã), vou estar com esse relatório concluído em mãos. Ainda não temos os valores dos prejuízos, mas os maiores foram para as famílias e na infraestrutura urbana”, relata.
No final da tarde de domingo, a grande quantidade de chuva causou o desabamento de uma galeria que provocou o rompimento da adutora na avenida Emílio Guilain. Com isso, foi interrompido o abastecimento nos bairros Castro Alves, Dois Irmãos, Santa Flora, Ivone, Goulart, Passo das Pedras, Tiaraju e Aeroporto. O Daeb informa que a retomada do abastecimento desses bairros voltou ao normal por volta das 19h, com exceção do bairro Tiaraju, que ainda estava em processo de arrumação.
Na rua Flores da Cunha, também houve o desabamento de uma galeria na calçada em frente ao galpão da antiga Cobagelã.
De acordo com o secretário municipal de Atividades Urbanas (Smau), Paulinho Parera, a situação é preocupante. “Tivemos estragos em quase todos os bairros, principalmente os sem pavimentação. Duas galerias desabaram. Pontes que se deterioraram, como por exemplo, a que liga o bairro Fênix ao Popular, que faz pouco tempo que terminamos de construir. Caiu uma cabeceira. Cabe ressaltar que as redes de drenagens estão com problemas de entupimento, e isso causado, principalmente, pelo lixo jogado nas vias. Assim que firmar o tempo, estaremos com quatro motoniveladoras nas ruas, realizando a manutenção”, enfatiza.
Conforme o técnico em segurança, Vagner Almeida, a situação foi assustadora. “Foi de repente, a água já estava subindo. Não deu tempo de tirar nada de dentro de casa. Chamei meu vizinho, que estava dormindo, e entramos em contato com o Corpo de Bombeiros. Eles vieram e ataram o carro dele em frente a casa. Roupas a gente lava, mas meus móveis perdi todos. A moto vai ter que ir para conserto. Ainda estou machucado, porque minha cadela estava no pátio, tive que colocá-la no ombro e pular o muro para salvá-la. Mas o animal, assustado, me mordeu o rosto”, comenta.
Almeida reclama da falta de assistência. “Vieram os bombeiros e amarraram o carro, mas só. Temos Exército na cidade. Senti falta de apoio”, completa.
Na Panela do Candal, a doméstica Eni Maria Resende, conta que ainda está com seu mobiliário levantado. “Faz um ano e quatro meses que moro aqui. Já fiquei assustada outras vezes, mas dessa foi pior. Minha vizinha quando a água começou a entrar, fechou a casa, pegou os filhos e foi para a casa de familiares. Não tive perdas grandes. Espero que não venha muita chuva nos próximos dias”, ressalta.
A capitã do Corpo de Bombeiros, Sulenir Abreu da Rosa, comenta que os estragos só não foram piores porque não havia vento forte. “Não houve destelhamento e desmoronamento de residências. Precisamos utilizar barcos para retirar pessoas de dentro das casas, principalmente idosos. Atribuo tudo isso ao crescimento desordenado da cidade - a rede de esgoto não suporta 120 milímetros de chuva - e também ao lixo que é jogado na rua. Nos atendimentos que realizamos, vimos desde as garrafas pets, até sofás e roupeiros que as pessoas não utilizam mais e jogam em qualquer lugar”, enfatiza.
Conforme o coordenador da Defesa Civil do município, coronel Mílton César Leite, houve muitas solicitações de atendimento. “Recebíamos e as encaminhávamos para as secretarias. Em termos de população, estamos voltando à normalidade. Os moradores estão retornando às suas casas. Agora, vamos fazer um laudo técnico, sabermos exatamente os locais mais atingidos, quais as necessidades dessas pessoas e tomarmos as devidas providências”, salienta.
Fonte: http://www.jornalfolhadosul.com.br



