Uma denúncia exposta durante reunião do diretório municipal do PMDB, na noite de segunda-feira, promete causar polêmica no meio político de Bagé. Na oportunidade, foi apresentada a acusação de um filiado da sigla, Richielly Pinheiro, que exerce função de assessor técnico especial junto à Câmara, dizendo que o vereador Uílson Morais o obrigou, desde o ano passado, a repassar, mensalmente, R$ 500 provenientes de seu salário, além de instigá-lo a contrair empréstimo de R$ 8 mil para que pudesse pagar dívidas.
E as acusações não param por aí. Conforme o denunciante, até mesmo a conta de luz de uma residência que Morais alugava teve que ficar em seu nome. “Não paguei essa conta. Mas como ocorreram atrasos no pagamento, tive problemas no meu nome para o pagamento da minha faculdade”, contou Pinheiro, ao explicar que o financiamento universitário acabou sendo comprometido.
Ainda, à coluna, Pinheiro reiterou as denúncias. Frisou que, quando assumiu o posto, no ano passado – época em que Morais era presidente do Legislativo –, teria sido “coagido” a atender tais exigências para permanecer no cargo. “Eu tinha emprego e precisava dele. Mas o sentimento que tinha era de ser roubado”, alegou.
Em síntese, diz ele, os compromissos mensais superaram o montante de R$ 1,3 mil. Isso levando em consideração os R$ 500 oriundos do seu salário, mais R$ 811 que precisava pagar ao banco pelo empréstimo efetuado.
Questionado sobre os motivos que o levaram a expor o fato agora, o assessor justificou dizendo que não queria mais “compactuar com isso”. E completou: “vivemos em um período com um monte de escândalos e eu, como membro do PMDB, não quero fazer parte disso”.
Tensão
A exposição de tal fato, que inclusive contou com a apresentação de um vídeo (encaminhado à coluna), gravado por Pinheiro quando conversava com Morais, ocasionou uma verdadeira tensão no reduto peemedebista de Bagé.
Conforme apurado pela coluna, por pouco os integrantes da sigla não chegaram às vias de fato durante a reunião. Mas, para impedir as agressões, teria sido necessário que alguns presentes interviessem nas discussões acaloradas.
Decisão
Apesar disso, acalmados os ânimos, o vídeo foi apresentado aos membros da executiva e, após, ficou definido o encaminhamento da denúncia ao Conselho de Ética do PMDB estadual, órgão que regula a atuação dos partidários.
Segundo o presidente municipal da legenda, Manuel Luiz da Silva Chaves (Neco), tanto a ata da reunião extraordinária como o vídeo gravado por Pinheiro serão enviados para apuração do diretório estadual. “Nós, do partido, não ficaremos omissos quanto a isso. Vamos levar as investigações adiante”, garantiu.
Neco, aliás, afirmou que o diretório não concorda com tais atitudes, mesmo que ainda em fase de apuração, e, por isso, optou por expor os fatos.
Vereador se defende
Procurado pela coluna, Morais encaminhou, por meio de sua assessoria, nota a respeito das acusações.
Inicialmente, destacou que “o que está acontecendo é pelo descontentamento de uma pessoa que não foi recontratada”. Isso porque, segundo apurado, Pinheiro estaria para ser exonerado. “Como não pode ficar, ele está usando de procedimentos de baixo calão para me atingir”, complementou o vereador.
Em parte da conversa, contudo, a assessoria reconheceu que a conta de luz da casa que Morais alugava estava em nome de Pinheiro. Porém, atestou que “nunca houve a efetivação de pagamentos” por parte do assessor.
Na sequência, o vereador reafirmou: “a minha conduta é correta e estou à disposição para qualquer esclarecimento. Não vou ceder a chantagens por troca de cargo”. E finalizou: “concordo com a atitude do partido em investigar, até porque não tenho nada a temer”.
Vídeo
No vídeo gravado por Pinheiro, ele questiona Morais sobre os fatos mencionados na matéria. Ao longo da conversa, o vereador não confirma nem nega os fatos. Mas, em determinado momento, diz que buscará uma solução para a questão do pagamento da conta de luz da casa que alugava.