07/11/2014

Cerca elétrica é implantada para impedir acesso de catadores ao aterro sanitário


Proteção busca garantir segurança e cumprir lei



O Executivo foi obrigado a investir R$ 200 mil em uma cerca elétrica para garantir a segurança do Aterro Sanitário de Bagé. Além disso, 10 câmeras devem ser instaladas. Isso para evitar a entrada de cidadãos que buscam catar lixo ainda não aterrado nas células. A cerca já está na área, que é de mais de 16 hectares. De acordo com o secretário do Meio Ambiente, Carlos Alberto Fico, a invasão estava ocorrendo porque a área era aberta. Como esse tipo de triagem não é permitida por lei, o município resolveu intervir e, a partir da implantação das câmeras, poderá controlar o espaço 24 horas por dia.
Fico admite que uma quantidade significativa de lixo não é triada pela Associação dos Selecionadores de Materiais Recicláveis (Asmar). Em média, chegam ao aterro 75 toneladas diárias de resíduos. O presidente da Asmar, Paulo César Rodrigues, comentou, na quarta-feira, que são triadas de 20 a 30 toneladas por dia – contudo, ontem, ele afirmou que o montante é de mais de 50 toneladas. Para Fico, a Asmar e o município devem incentivar os catadores que circulam pela cidade. Essa é uma estratégia para diminuir a quantidade de lixo: o município economizaria com isso, inclusive. O secretário diz que a entidade precisa agregar os trabalhadores que não estão no centro de triagem.
Rodrigues, por sua vez, garante que a Asmar já buscou uma conversa com esses catadores, que não teriam demonstrado interesse em participar da associação. Contudo, após ser apresentado à manifestação de Fico, admitiu que o grupo pode tentar tal diálogo mais uma vez. Sobre o aumento no número de trabalhadores que atuam no centro, ele garante que, após uma manutenção necessária à esteira, “algumas pessoas” a mais podem passar a desenvolver a atividade. Hoje, há 50 trabalhadores no local. Vale destacar que outra estratégia apontada por Fico para diminuir a quantidade de lixo que chega ao aterro, e que não é triada, é a coleta seletiva. Contudo, ele pondera que há quatro semanas a Asmar não realiza a coleta por problemas no caminhão coletor.

Condições de trabalho

Na quarta-feira, a vereadora Sônia Leite informou à reportagem que os trabalhadores do centro de triagem não contam com um ambiente adequado para se alimentarem. Faltaria um refeitório. “Eles comem em uma escada, sentados no lixo”, explicou. Uma questão de saúde pública, para a legisladora. Ela defende melhores condições por acreditar que a situação é desumana. Rodrigues rebateu as informações, ao garantir que há refeitório para os trabalhadores e disse que dizer que eles comem em meio ao lixo é exagero. É claro, contudo, que o refeitório é próximo ao centro de triagem, ainda que separado da área.
Ontem, a reportagem foi ao local. A FOLHA do SUL foi autorizada por Rodrigues a fotografar o local. No refeitório, há o que ele havia afirmado, por telefone: um fogão, uma geladeira e uma televisão, além de balcões. Contudo, a equipe jornalística também verificou que a estrutura está danificada. Poças de água no chão do refeitório denunciavam os buracos no teto. Ou seja, em dias de chuva, o ambiente se torna inóspito. Rodrigues afirma que a prefeitura já comprou parte dos materiais para o conserto e que, nos próximos dias, o problema deve ser resolvido. Fico explicou que a manutenção não é responsabilidade do município.
O secretário lembrou que há convênio firmado e que a manutenção da estrutura está entre as responsabilidades da associação. Comentou que o prédio foi entregue em boas condições de conservação. Além disso, especificamente sobre o refeitório, ponderou que a situação é decorrente da falta de limpeza das calhas. Fico garante que o Executivo já realizou cinco reuniões para tentar conscientizar sobre a necessidade de manutenção do espaço para garantir boas condições de trabalho. Disse que o município custeará a manutenção da esteira, mas que a Asmar precisa conservar o que está disponível. “Foi dado um ultimato”, destacou, ao garantir que se a situação não mudar, será preciso tomar outras providências.
Quando questionado se isso pode ocasionar a extinção do convênio, ele foi enfático ao afirmar: “não gostaríamos, porque são mais de 50 trabalhadores”. Rodrigues garante que a manutenção é feita. O município repassa para a Asmar, por mês, R$ 3,5 mil. Esse valor é usado para reparos de maquinário e compra de itens como máscaras e luvas. Ele lembrou que impasses já estão sendo solucionados, como o reparo da esteira para triagem e da colocação do forro do refeitório, ambos custeados pelo município. Fico também garantiu que a secretaria resolveu defeitos na caixa de água. Porém, defende que o município “não pode ser pai e mãe”.



Fonte http://www.jornalfolhadosul.com.br