Na tarde de ontem, mais uma vez, o produtor rural Walter Langer foi para a frente do Fórum da comarca de Bagé, protestar por ter perdido, para os irmãos, a posse de 200 hectares que, segundo ele, seriam de sua propriedade.
Langer afirma que, no ano 2000, uma juíza deu a sentença favorável aos irmãos e, então, retiraram sua família e ele do local, na entrada da Colônia Salvador Jardim, a 15 quilômetros de Bagé. "Quando o meu pai era vivo, nós tínhamos uma sociedade de fato, onde eu era proprietário das terras, junto com ele. Ainda firmamos um acordo, devolvi o gado que estava no local, mas, quando fizeram o inventário, não citaram a sociedade", destaca.
Conforme o produtor rural, a sentença teria sido comprada. A juíza julgou que os irmãos teriam direito sobre as terras e então pediu reintegração de posse. "Depois dessa sentença, não consegui mais advogado para defender a minha causa. Eles dizem que não tem como ir contra a decisão", garante Langer.
O homem acusa também que o ato é inconstitucional e que tem direito, pois tem uma sociedade de fato e que a propriedade é sua. "Eu quero o que é meu direito. Eles alegam que eu somente trabalhava com meu pai, mas não é verdade.Tínhamos uma relação profissional e não somente de pai e filho", ressalta o produtor.
OAB
A reportagem do jornal FOLHA do SUL procurou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, subsecção Bagé, Roberto Hecht Júnior, que informou não estar sabendo da situação. "Vamos tentar auxiliar o produtor rural. Pelo que estou entendendo, ele perdeu o prazo para recorrer da sentença da juíza", relata.
Hecht garante que o prazo para recorrer de uma sentença é de 15 dias e o caso já tem mais de 14 anos. "Talvez por falta de orientação, o produtor não conseguiu reabrir o processo, mas nós, como uma entidade democrática, iremos analisar e estamos à disposição dele", salienta o presidente da OAB-Bagé.
A comissão de Direitos Humanos da OAB-Bagé irá avaliar a situação e o processo.
Fonte http://www.jornalfolhadosul.com.br/